Dom Luiz Fernando Lisboa completa 41 anos de Ordenação Presbiteral

Ser uma Igreja em saída… Ser um pastor que tem cheiro de ovelha… Esse apelo do Papa Francisco há muito faz parte da vida sacerdotal de Dom Luiz Fernando Lisboa. E, ao permanecer 20 anos (2001-2021) em Moçambique, em Cabo Delgado, na África, primeiro como missionário e depois como bispo da Diocese de Pemba e, por quase 4 anos à frente da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, as experiências vividas revelam exatamente a capacidade de se fazer um com o povo que pastoreia.

Dom Luiz celebra nesta terça-feira, 10 de dezembro, 41 anos de sua ordenação presbiteral. O sacramento da ordem foi ministrado na Catedral Diocesana de Osasco, São Paulo, no dia 10 de dezembro de 1983, pelas mãos de Dom Francisco Manuel Vieira, à época Bispo da Diocese de Osasco.

O desejo de ser padre surgiu muito cedo na vida de Dom Luiz. Nascido em uma família católica, o nono de doze filhos, percebeu cedo o chamado de Deus e decidiu que seria sacerdote. Acompanhado pela família, a vocação foi amadurecendo.

“Morávamos no interior, lembro-me das visitas que sempre recebíamos, quando celebrava em nossa comunidade, do nosso pároco; um Padre Dehoniano, seu nome era Benigno. Um homem alegre e de fé inabalável. Era um sacerdote fisicamente gordinho, assim como eu na infância. Fazendo uma comparação, meu pai passou a me chamar de Padre Benigno. E aquilo me despertou, de certa forma, uma atração. Desde então, dizia que seria Padre”, contou.

Da decisão de ir ao seminário até ser consagrado padre enfrentou, como qualquer pessoa, muitos desafios, mas Deus sempre lhe colocou no caminho pessoas que muito contribuirão nos seus momentos difíceis.

“Aos 19 anos, ingressei no seminário São Gabriel da congregação da Paixão de Jesus Cristo (Missionários Passionistas), em Osasco (SP); fiz meu noviciado em São Carlos (SP); depois fui para Curitiba (PR), cursei Filosofia na Pontifícia Universidade Católica (PUC) naquela época, chamada de UCP. Depois a Teologia, fiz no Instituto Teológico São Paulo (ITESP). Fui ordenado sacerdote em 10 de dezembro de 1983 na Igreja Matriz de Osasco, atualmente, Catedral de Osasco. Durante esses anos, por onde passei, o povo sempre foi muito acolhedor. Isso me ajudou muito”, explicou.

Após a ordenação sacerdotal seu presbiterado foi marcado por muitas alegrias e, obviamente, muitas dificuldades como todo presbítero. “Todo vocacionado em qualquer vocação enfrenta dificuldades. Houve momentos de desânimos e crises, mas as alegrias sempre foram infinitamente maiores”, explicou.

Em sua humildade, decidiu ser padre por vocação e por amor ao evangelho mas, o Deus que surpreende cuidou de confiar mais responsabilidades ao Dom Luiz Fernando Lisboa que, além de padre, foi consagrado Bispo e também recebeu a dignidade de Arcebispo, hoje atuante na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim.

“Ninguém imagina ser Bispo! Nunca pensei que isso poderia acontecer comigo. As pessoas brincavam comigo: como pode alguém sem rosto, corpo, barriga de bispo, ser nomeado? Também me perguntava isso… no início do ano de 2001, fui ainda como missionário Ad Gentes para a África na Diocese de Pemba, Moçambique, onde trabalhei por nove anos; retornei ao Brasil e trabalhei por quatro anos como pároco na paróquia Santa Teresinha de Lisieux, em Colombo, na arquidiocese de Curitiba. Porém, minha cabeça nunca saiu daquele pedacinho no norte de Moçambique. No meu coração, desejava voltar para lá. Mesmo no Brasil realizei campanhas para ajudar à aquelas pessoas. Em 12 de junho de 2013, o Papa Francisco me nomeou como Bispo de Pemba. Foi a segunda nomeação de Francisco como Papa. Minha posse aconteceu dois meses depois, e com muito amor servi por mais 7 anos e meio por lá”, explicou.

As experiências tão ricas e profundas foram recentemente publicadas no Ebook e no livro “Memórias Missionárias em Cabo Delgado (2001-2021), de Luiz Fernando Lisboa”. A obra é uma iniciativa de cinco universidades públicas brasileiras e a partir do testemunho do bispo, é reconhecidamente um documento histórico, que atribui sentido às suas valiosas memórias.

Em 11 de fevereiro de 2021 foi nomeado Bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim.

“Se pudesse resumir meu presbiterado, episcopado ou cristianismo usaria a palavra ‘servir’. Posso não ser um bom servidor, mas sempre procurei estar a serviço da construção do Reino de Deus. Escolhi este dia (10 de dezembro) para ser ordenado por um motivo: É o dia mundial dos Direitos Humanos. Desde o tempo de seminarista, trabalhei na defesa dos Direitos Humanos. Esse é meu ministério: Servir a Deus cuidando de seus filhos”, comentou Dom Luiz que finalizou a entrevista completando: “agradeço a Deus pela oportunidade de servir em Moçambique, agradeço também, por estar aqui nessa bonita Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Sou muito feliz aqui também”.

 

Diferença entre Ordenação Presbiteral e Episcopal

O Sacramento da Ordem possui três graus: o episcopado (bispo), o presbiterado (padre) e o diaconato (diácono). Cada um destes graus tem suas próprias funções e responsabilidades dentro da Igreja. O episcopado, reservado aos bispos, é o grau mais elevado e confere a plenitude do sacramento, incluindo a capacidade de administrar todos os sacramentos e liderar uma diocese. Para um sacerdote tornar-se bispo, necessariamente, deve ter sido ordenado primeiramente diácono transitório e, depois, padre da Igreja Católica. Por isso, os prelados celebram duas ordenações ao ano (presbiteral e episcopal).

 

Fotos da Ordenação Presbiteral de Dom Luiz Fernando Lisboa

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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