Obra da Festa de Corpus Christi de Castelo será exposta em São Paulo

Contornos expressivos, figuras realistas e cores serenas dão vida ao quadro criado pelo artista plástico castelense José Márcio Quaggiotto Malavolti, que deixará Castelo nesta semana para ficar exposto permanentemente em Franca, no estado de São Paulo, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida “a Capelinha”. A obra foi confeccionada por ocasião da 61° Festa de Corpus Christi em Castelo, sendo parte da composição do quarto 13. As pinceladas do artista retratam os 125 anos do trabalho de Evangelização da Ordem dos Agostinianos Recoletos no Brasil, que foi tema dessa parte dos tapetes.

“Quando projetei essa composição para a Festa de Corpus Christi, decidi referenciar esta capela, a qual tenho um carinho muito grande. Fui seminarista Agostiniano por três anos e, neste período, residi ali” – explica o artista – “Na época ela ainda tinha essa cor na fachada e na praça ainda não tinham sido reinstalados os jardins. A pintei como a tenho em minhas lembranças, com minha janela sempre aberta pra visão da cidade”

O imponente prédio, conhecido por todos como Capelinha, teve sua origem no início do século XX e abriga atualmente o Seminário Maior da Ordem dos Frades Agostinianos Recoletos, o Instituto Agostiniano de Filosofia e o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Foi construído em estilo neogótico e estava fechado desde 2018 quando as obras de reforma e restauro tiveram início. Seis anos depois, a igreja da Capelinha foi reaberta e o trabalho do artista castelense vai decorar a sacristia do templo.

“Minha inspiração para obra foi uma pintura de Bartolomé Esteban Murillo. O artista espanhol retratou Santo Agostinho (fundador da ordem Agostiniana) recebendo uma flechada de Jesus Cristo no colo de Nossa Senhora da Consolação (patrona dos Agostinianos Recoletos). Decidi representar essa obra porque, na minha opinião, é uma das mais belas retratações da história de Santo Agostinho”.

Batizada de “Coração Ardente” a tela tem 2X2 metros e emoldurada pesa quase 30 kg.

“Essa ‘alegoria’ foi construída com Santo Agostinho junto à Nossa Senhora no espaço alto da composição e retrata o momento de êxtase de Agostinho, quando o mesmo é flechado por Jesus. Esse acontecimento também é chamado de coração ardente (o coração que arde em Cristo), expressão que deu nome à obra”. Aos pés foi feita a construção da Capelinha, como se fosse sobre ela que a cena acontece. Na cena o cinto do hábito de santo Agostinho sobrepassa as realidades de Céu e Terra, envolvendo a construção. Ainda, se percebe ao fundo, um pequeno barco, com um detalhe na vela, que simboliza essa travessia dos primeiros Padres Agostinianos que cruzaram o Atlântico e vieram para a América há 125 anos.”

Desde o início dos trabalhos de confecção da obra o artista tinha por intenção enviar o trabalho à Franca, mas mesmo conhecendo grande maioria dos frades Agostinianos, quem fez o contato com a paróquia da Capelinha foi uma amiga e ex-professora do artista no período em que foi seminarista, Andréa Pimenta Cintra, paroquiana daquela comunidade, que acompanhou todo processo de confecção e esteve na Festa de Corpus Christi em Castelo, prestigiando os trabalhos dos tapetes.

O quadro viaja para a São Paulo já nesta semana, e Malavolti conta como foi a preparação para o translado:

“Passei as últimas semanas organizando tudo para enviá-lo. Essa, não é uma obra de fácil traslado. Além de grande e pesada, trata-se de um quadro delicado e de alto custo, para leva-la para tão longe tivemos que encontrar uma transportadora especializada e desenvolver uma estrutura que a pudesse proteger e conservar até o destino final”.

A rotina de representar cenas sacras fazem parte do repertório desse artista. Todos os anos ele desenvolve uma tela para os tapetes de Corpus Christi e após a festa ela vai para algum espaço onde possa continuar inspirando a fé católica.  Neste ano é Franca que vai receber o trabalho, sendo acolhida pelo atual pároco frei Sérgio Sambl e pelo prior do seminário frei  Danilo José Janegitz e toda comunidade da Capelinha.

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Autor:

Diocese Cachoeiro

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